O Menino que Conversava com as Estrelas

O Menino que Conversava com as Estrelas
Uma história sobre cuidar dos sonhos pequenininhos

Theo era um menino de conversa mansa.
Quando a casa ficava quietinha, ele ia para a janela.

Lá fora, o céu ficava cheio de pontinhos brilhando.
Theo achava que cada um deles tinha alguma coisa para contar.

— Boa noite, Theo.
Numa dessas noites, uma estrelinha desceu bem devagar até ele.

O menino não teve medo nenhum.
Ele abriu um sorriso grande, daqueles que enchem o rosto.

— Quer conhecer o lugar onde os sonhos crescem?
A estrelinha piscou duas vezes e fez o convite:

Do parapeito da janela nasceu um caminho de luz,
macio como uma trilha de areia quentinha.

Theo pisou com o pé direito, depois com o esquerdo.
O caminho segurou seus passos com firmeza.

Subiram juntos até as nuvens.
Lá em cima o vento era doce e cheirava a algodão.

— Chegamos. Este é o Jardim dos Sonhos.
A estrelinha parou, apontou para baixo e falou baixinho:

Era um jardim inteiro plantado no céu,
com flores que brilhavam como pequenas lanternas.

Cada flor era o sonho de uma criança.
Algumas eram enormes e reluziam de longe.

Theo andou devagar entre elas, com cuidado para não pisar em nenhuma.
Tudo ali parecia respirar junto com ele.

Num cantinho escuro do jardim havia uma florzinha bem pequena.
As pétalas estavam caídas e a luz dela quase não aparecia.

— Por que você está tão apagadinha?
Theo se abaixou pertinho dela e perguntou:

— É um sonho que ninguém escutou ainda.
A estrelinha respondeu com a voz baixinha:

O menino não achou aquilo justo.
Então fez a coisa mais simples do mundo: ficou ali, ouvindo.

Depois começou a imaginar junto com ela.
Imaginou pipas soltas no céu e baleias azuis passeando entre as nuvens.

Imaginou castelos feitos de nuvem
e escadas que levavam direto para a lua.

A florzinha sentiu aquilo tudo.
Mexeu uma pétala, depois outra, e foi se abrindo.

Plim!
De repente ela se acendeu inteira, num clarão dourado.

A luz dela subiu pelo jardim e acordou as flores vizinhas.
O céu inteiro ficou mais claro naquela noite.

— Você não fez mágica. Você só escutou.
A estrelinha chegou pertinho do ouvido de Theo:

Theo abraçou a estrelinha bem apertado.
Ela era quentinha, como um cobertor recém-saído do sol.

Na volta, o caminho de luz o levou de novo até a janela.
A estrelinha subiu para o céu e piscou uma última vez.

Theo olhou para o próprio peito e encontrou um brilho ali dentro:
quentinho, calmo e só dele.

Na noite seguinte, outra criança foi até a varanda olhar o céu.
Uma estrela desceu devagarinho para conversar com ela também.

Fim
Porque todo sonho precisa de alguém que pare para escutar.
E sempre que alguém escuta com carinho,
nasce uma estrela nova lá em cima.
Desde então, antes de dormir,
Theo dizia baixinho para o céu:
— Boa noite. Amanhã eu escuto de novo.